HAC
Equipe Hospital Águas Claras - Equipe Hospital Águas Claras Atualizado em 04/12/2020

Sua saúde

5 minutos de leitura

Infecções sexualmente transmissíveis: saiba como prevenir

Conheça as principais infecções sexualmente transmissíveis (ISTs)

Resuma este artigo com IA:

Acompanhe nossos conteúdos com prioridade no Google

GoogleFavoritar no Google

Antes chamadas de doenças sexualmente transmissíveis (DST), as infecções sexualmente transmissíveis (ISTs) são patologias disseminadas pelo ato sexual com uma pessoa infectada sem o uso de preservativos. A mudança do nome ocorreu porque uma pessoa pode não apresentar sinais ou sintomas da doença, mas, ainda assim, contaminar outras pessoas.  

De acordo com a Dra. Ana Helena Germoglio, infectologista do Hospital Brasília Unidade Águas Claras, as infecções sexualmente transmissíveis (ISTs) vêm crescendo no Brasil e no mundo, sobretudo entre a população mais jovem. Não somente a Aids, mas as hepatites, a sífilis, a gonorreia e o HPV são ISTs que vêm aumentando sua incidência de forma exponencial. Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) mostram que, diariamente, são diagnosticados mais de 1 milhão de casos novos de ISTs em pessoas entre 15 e 49 anos ao redor do mundo.  

Aids continua sendo um grande problema de saúde pública mundial, com mais de 33 milhões de mortes desde o início da epidemia até 2019. No entanto, com o acesso à informação, à prevenção, ao diagnóstico e ao tratamento, a infecção pelo HIV tornou-se uma condição de saúde crônica, de modo que, hoje, as pessoas que vivem com o vírus têm a mesma expectativa e qualidade de vida de uma pessoa sem o vírus. Estima-se que o número de novos casos de HIV na América Latina tenha aumentado 21% desde 2010, com aproximadamente 120 mil novas pessoas infectadas em 2019. 

A principal forma de transmissão das ISTs é por relação sexual desprotegida, incluindo sexo vaginal, anal e oral. Entretanto, outras vias de contágio também são importantes: da mãe para o bebê durante a gestação, no parto e na amamentação e pelo contato com mucosas e pele com sangue contaminado em acidentes perfurocortantes.  

Segundo a Dra. Ana Helena Germoglio, a pandemia do novo coronavírus deixou mais de 70 países em risco de escassez de remédios para tratar pessoas com HIV. O Brasil não está nessa lista, mas não deixou de enfrentar problemas. De acordo com o Ministério da Saúde, por causa da sobrecarga dos serviços em função da pandemia, houve redução de 17% no número de pessoas que iniciaram a terapia antirretroviral, em comparação com o mesmo período do ano anterior, mas não houve problemas de desabastecimento de medicamentos. “Provavelmente, o medo de se expor ao coronavírus levou alguns pacientes a não procurarem as unidades de saúde onde faziam acompanhamento”, explica a infectologista.  

De maneira geral, as infecções sexualmente transmissíveis são evitáveis, por meio de práticas sexuais seguras, como o uso correto e consistente de preservativos e educação sobre saúde sexual. Afinal, informação também é um modo de prevenção. 

As principais infecções sexualmente transmissíveis (ISTs) 

Além da doença provocada pelo vírus HIV, a Aids, existem diversas outras infecções sexualmente transmissíveis (ISTs). Elas são provocadas por vírus, bactérias ou microrganismos e variam em relação aos sintomas. “Algumas podem não apresentar sinais de imediato, levando longos períodos sem se manifestar, mas ainda assim causarem a contaminação por meio de relações sexuais sem proteção”, ressalta a Dra. Ana Helena. Há também a possibilidade de essas condições serem transmitidas da gestante para o bebê durante a gestação, no parto ou na amamentação. Em menos casos, há também a possibilidade de contágio pelo contato com mucosas ou pele com secreções no corpo. As principais doenças são:  

- HPV – o vírus infecta a pele e as mucosas e pode causar lesões ou verrugas que podem levar ao câncer, como de colo de útero, garganta, ânus e pênis. Existe a opção de vacina contra o HPV comercializada. Ela é oferecida também gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS) para meninas de 9 a 14 anos e meninos de 11 a 14 anos ou para quem já tem o HPV na faixa etária de 9 a 26 anos; 

- gonorreia e infecção por clamídia – são infecções causadas por bactérias que atingem os órgãos genitais.  Quando não são tratadas, podem causar infertilidade e dor durante as relações sexuais; 

- cancro mole (cancroide) – provocado pela bactéria Haemophilus ducreyi, causa lesões na área genital, na maioria das vezes dolorosas;  

HIV/Aids – HIV é a sigla em inglês do vírus da imunodeficiência humana. Causador da Aids, ataca o sistema imunológico, responsável por defender o organismo de doenças. Pode ficar anos sem apresentar sintomas; 

- donovanose – doença crônica que atinge principalmente as mucosas das regiões genital, perianal e inguinal e caracteriza-se por úlceras genitais;  

- sífilis – é causada pela bactéria Treponema pallidum e se apresenta por meio de estágios diferentes: primária, secundária, latente e terciária; 

- linfogranuloma venéreo (LGV) – é uma infecção crônica causada pela bactéria Chlamydia trachomatis que atinge os órgãos genitais e os gânglios da virilha; 

- doença inflamatória pélvica (DIP) – síndrome causada por diversos microrganismos. Ocorre, sobretudo, quando a gonorreia e a infecção por clamídia não são tratadas; 

- tricomoníase – infecção genital causada pelo protozoário Trichomonas vaginalis, afeta a vagina ou a uretra na maior parte dos casos, mas também pode ser encontrada em outras partes do sistema geniturinário. Provoca microlesões na parte interna da vagina.  

Quais as formas de prevenção?  

A principal forma de prevenção contra infecções sexualmente transmissíveis é o uso da camisinha masculina ou feminina, um ato fundamental de proteção da saúde. E quando acontecem acidentes, como romper o preservativo, por exemplo, é importante se buscar imediatamente atendimento médico para que seja indicada outra opção de prevenção.  A chamada prevenção combinada agrupa outros métodos de proteção, como testagem regular para o HIV; prevenção da transmissão vertical (quando o vírus é passado para o bebê durante a gravidez, o parto ou a amamentação); tratamento de infecções sexualmente transmissíveis e das hepatites virais; imunização para as hepatites A e B; programas de redução de danos para os usuários de álcool e outras substâncias; profilaxia pré-exposição (PrEP); profilaxia pós-exposição (PEP); e tratamento de pessoas que já vivem com o HIV, para que os níveis de contágio cheguem a quase zero.

Como tratar as infecções sexualmente transmissíveis (ISTs)?  

O tratamento para as infecções sexualmente transmissíveis (ISTs) é específico, de acordo com cada doença. A maior parte dos casos tem cura quando identificados precocemente. Com o uso de medicamentos ou vacina, algumas ISTs podem ser totalmente eliminadas, por isso a importância do acompanhamento médico preventivo anualmente.  Outras doenças, no entanto, não têm cura, como a Aids, mas seu tratamento é importante para que o paciente tenha qualidade de vida e evite que a patologia se agrave. Além disso, com o tratamento sendo feito rigorosamente, as chances de infectar outras pessoas podem chegar a níveis nulos.  

A Dra. Ana Helena reforça a importância de incluir as sorologias para ISTs nos exames anuais de rotina. “Qualquer médico pode solicitar os exames e, em caso de confirmação do diagnóstico, o tratamento deve ser conduzido por um infectologista”, conclui a médica.

Escrito por
HAC
Equipe Hospital Águas ClarasEquipe Hospital Águas Claras
Escrito por
HAC
Equipe Hospital Águas ClarasEquipe Hospital Águas Claras